Primeiro há que reconhecer o inevitável: a Baixa está em estado vegetativo.

Depois há que estar atento que uma luta gigante se está a travar: entre modos de vida enraizados, idealizados e desejados que continuem (mas cada vez menos insustentáveis) e entre mudança de quotidianos e paradigmas. Paralelamente está já em curso a pré-campanha para a CML, e dum lado há quem está a apostar em ideias (até então apenas vocalizadas) e do outro quem quer manter as mesmas apostas (que estão a dar tão bons frutos).

Na baixa promete-se alterações como nunca antes, e logo se começa a ouvir as vozes de quem ainda acredita que devia-se acelerar  em direcção ao abismo.

Este estudo, de resultado esperado, bate a tecla do “não se faz, porque ainda não está feito” (a figura destes “estudos” fascinam-me, será que não deviam pôr sempre na bibliografia o Herr Goebbels?)   Ora, se não se quer “restringir significativamente” o tráfego automóvel (lembrar que o estudo foi pago pelo ACP) porque não o dizer claramente? Façam campanhas óbvias que nem a dos “mais N mil automóveis em Lisboa”, depois deixem os cidadãos escolher. Agora, “fingir” que se dá valor à mobilidade sustentável pedindo mais betão… não!!!

videos:


Não seria bonito dizer “é bem feito” e estar aqui a lembrar “que eu bem vos disse”, porque só ajudaria a crispar quem agora “anda aos papeis” porque não viu a horas que “isto assim não podia continuar”.

No entanto, “eles” aí estão a refilar, e pedir que os “deixemos trabalhar” e que “metam isto nos eixos”… com o herário público.

Eles falam em tudo o que é Media, e ainda se queixam de que não falam a uma só voz. E quem NÃO quer que as coisas voltem a como eram? Onde está a sua voz? Já não é sem tempo de dizer bem alto que é JÁ que queremos mudar o paradigma de transportes<economia<modo de vida ???

Aqui ficam as vozes dos que ainda acreditam no Pai Natal:

[blip.tv ?posts_id=1743738&dest=-1] [blip.tv ?posts_id=1743745&dest=-1]

e aqui a noticia da tvi que não consegui aqui disponibilizar.

 

Comentários às peças:

Na RTP ficou demonstrado que a desculpa do “precisamos do carro para trabalhar” ficou minada. Parece que os carros comprados de facto para trabalhar não se vendem tanto já, mas por outro lado os postos de trabalho também tem vindo a desaparecer a maior ritmo. Mas vê-se que os automóveis particulares de luxo não são menos procurados, o que demonstra que ter carro é maioritáriamente um simbolo de status e um reflexo da disfuncionalidade da nossa sociedade.

José Ramos Presidente da ACAP diz para se aumentar o crédito ao consumo, para que se venda mais. Ou em analogia:se o drogado precisa de heroína, que todos nós demos dinheiro ao bancos, para estes darem parte ao drogado para que este mantenha o estilo de vida do traficante. Ora aí está uma boa ideia, xôr Ramos! Nunca ouvi falar dos maleficios do crédito? Vá de férias à Islândia.

Fala-se de corte aos impostos, e nem lhe toco… pois esse tema daria uma constelação de blogs

Mas foi giro fechar com a associação entre a gravidade da situação e o sector ser 4%PIB. Ora se fosse só isso até estávamos nós muito bem. O problema é que quase tudo depende do pópó, ora vejam como fica o país quando os camiões bloqueiam ou quando a maldita neve agride os pneus de tanta latinha… Mas se não retirarmos este cancro JÁ vai ser bem pior no futuro.

A SIC acrescentou a visão do mundo das reparações. Ou significa que os carros estão mais fiáveis, ou (espero) as pessoas os condutores vão se aperceber da excessiva complexidade do monstro metálicos em que todos os dias querem entrar… este vai começar a frustá-los e pode ser que mudem para algo mais funcional 😉

E assim acabei em tom de esperança…


Foi com surpresa que “apanhei” uma emissão dum programa “de economia”, bem tarde e no refúgio que é a rtp2, onde se fugiu bastante ao toque habitual … e em vez de falarem de números e coisas macroeconómicas , houve apenas um convidado que durante o inteiro programa se tentou auto-exorcizar.

Foi um registo mais pessoal e humano com bastante tonalidades de psicologia, questionamentos éticos e exibição pública das próprias fragilidades … mas algo que deu uma outra luz sobre o verdadeiro mundo da alta-finança, das gestões eficientes em constante crescendo ou diria mesmo do “core” do sistema neo-liberal.

Assim se aprende como o  “mundo prometido” realmente vai rodando.

Foi um bom serviço público da RTP, que assim nos mostrou um outro ângulo do que foi, é e será as crises financeiras. Para compensar, nos prime-times, os jargões financeiros, inacessíveis (creio) à esmagadora maioria, a confirmação por repetição de dogmas neo-liberais, e da distração que é o apontar de dedos a quem talvez tenha “a culpa” do aumento da “água pró popó”

Vejam, se puderem: http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=23484&idpod=17450&formato=wmv&pag=recentes&escolha=

Os meus parabéns ao convidado João Ermida, e espero poder ler o seu livro “Verdade, Humildade & Solidariedade

 

Algumas quotes:

“dinheiro é para fazer coisas”

“psicóloga de alto-executivos” que disse “isto já começa a acontecer com pessoas jovens, universitários”


Parece que os novos radares vieram incomodar muitos, aqueles que pensam que uma cidade deve ser esventrada às latas velozes e que sentem o seu direito de acelerar em risco. Mas parece que há quem lute para tentar reduzir a frenética velocidade a que se circule nesta capital.

A Sic analisa os novos radares em Lisboa

[blip.tv ?posts_id=419110&dest=16051]

Jornal da Noite  – Radares do Túnel do Marquês em 4 meses apanharam 38.529 condutores em excesso de velocidade


Foi possível neste sábado desfrutar de algumas ruas e praças da capital.

Uma iniciativa integrada na Semana Europeia da Mobilidade, que volta a acontecer em Lisboa.

[blip.tv ?posts_id=398813&dest=16051]

Ficheiro original
Uma vez que não tenho camera fotográfica, fica aqui uma versão 3D do meu passeio de degustação duma Lisboa sem carros (pelo menos no centro).
Ver o mapa do percurso ou um gráfico do percursoGráfico do percurso

 

Deixo agora algumas observações, tentando não produzir qualquer opinião sobre nenhuma:

  • Estive na zona cortada ao trânsito entre as 19h e as 20h, vendo já poucos nas ruas (excepto taxis)
  • O trânsito (sábado) antes e junto às barreiras de entrada era bastante e havia muitos condutores a reclamar com os agentes da PSP. Muitos não sabiam o que se estava a passar…
  • A esta hora, pouca gente realmente desfrutava da excepcionalidade da situação e muitos peões continuavam a andar apenas pelos passeios.
  • Vi (e não fotografei) um senhor de “meia-idade” na sua bicicleta dobrável a pedalar apenas pelos passeios desde os Restauradores até meio da Avenidade da Liberdade.
  • A Avenida da Liberdade estava entupida nas suas laterais, e a rotunda do Marquês estava bem concorrida.
  • Nesta mesma avenida quase todos os ciclistas, patinadores, skaters pareciam correr com os fantasmas dos outros dias em busca das mais altas velocidades…

A opinião final: Gostei, é bom… venham mais, MAS parece-me que não vai chegar “lidar” com as ruas e tirar-lhes os carros e “devolvê-las às pessoas” uma vez por ano… essas pessoas, parecem-me, ainda não “mentalizadas” para querer, pedir, ter, apreciar diferentes formas de viver e se movimentar em Lisboa.


[blip.tv ?posts_id=419100&dest=16051]

A SIC ilustrou o dia sem carros de Lisboa com um “caos no trânsito em Lisboa”
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