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Parece que a mainstream media está a pegar nesta onda de irracionalidade, e faz bem. Porque é preciso não pactuar silenciosamente com perversões…

Agora que os vejo em crescimento aqui perto de mim, deixo as memórias regressarem e pintarem uma manta de de retalhos tragico-cómica:
– Voltava a Portugal depois de uma longa viagem pela Europa e não esperava a sobrevivência do patriotismo futeboleiro de pendurar bandeiras, mas elas ainda por aqui andavam e eram várias presas ao microcarro que por mim passara e estava agora também parado numa berma do pinhal de Leiria… o seu dono estava ainda a embrenhar-se para dentro do agora mais eucaliptal com uma amiga que ali à berma encontrou…
– Semanas antes percorrera toda a costa galega, e por muitas estradas que agora pareciam ter ficado com o crude que já não estava nas rochas, eles ali se movimentavam: os microcoches. Desde os bolha, aos caixa-aberta, sem deixar de ver uns quantos “roadsters”. Muitos eram mal-cheirosos, todos barulhentos, alguns já batidos e amolgados, mas nenhum tinha que ser conduzido por alguém “devidamente encartado”… e nada como pensar nas implicações disso quando ultrapassava uma destas latas amassadas (sim, mesmo assim ultrapassei algumas).
– Algum tempo depois, de volta à vida de sentado ao sol (em cima do selim), também em Espanha vejo o outdoor mais explicativo do fenómeno (a publicidade será sem dúvida grande ajuda para os historiadores futuros tentarem nos entender). Infelizmente não tinha artificio para gravar tal imagem, que não na minha memória. Por cima dum stand de veículos motorizados um gigante cartapácio (tive tempo de o analisar em movimento sem nunca ter de parar) mostrava uma criança contente ao volante dum microcoche “desportivo” e dizia sem meias-palavras ou qualquer pudor: “A conduzir desde os 14 anos”.
Sabia que estaria para vir essa “esperta” ideia iluminar as necessidades de locomoção do povo lusitano, mas não esperava ser onde os tios deveriam ser pais mais iluminados…

Mesmo assim fiquei a saber pela notícia que “os anos de ouro” já acabaram. No entanto os vendedores sentem legitimidade de se queixarem de só poderem vender a maiores de 16…
Porque não equiparar estes bólides ao canábis, numa analogia de escalada inevitável no mundo da ostracização metálica e da probabilidade agravada de delitos … ao código cívico da mobilidade racional !?


Hoje o Público escreve sobre os transportes ferroviários no Alentejo. Por entre vantagens aparece a desvantagem da forma como CP constrói os seus horários:

Mas acontece que os horários estão feitos de tal forma que parece que a CP brinca com os clientes. O comboio rápido Lisboa-Beja pára em Casa Branca às 10h49, mas o regional para Évora saiu às 10h28. E o mesmo acontece à noite: o Intercidades para Beja passa às 21h01, mas a automotora para Beja já partiu há 18 minutos.

a ler aqui.


Estava para comentar este anúncio, agora centro de polémica, mas não tinha tido tempo. Hoje quando procurava pelo video na net, descobri demasiadas referências 😉

Não exactamente pela agressão ao direito de manifestar que eu lhe ia “pegar”, mas sim pela mensagem subliminar de elogio ao individualismo, comodismo e ostracismo quotidiano dentro das latas fumacentas.

É muito grave sublinhar a ideia de que o dogma inescapável do quotidiano é ir com pressa para o trabalho sozinho dentro dum carro, tentando fugir do imputável trânsito dialogando com o autorádio. A imputabilidade atribuída aos malévolos manifestantes (sobre sabe-se lá o quê, que isso também não interessa) é assim uma escapatória para a decisão concreta e consciente de quem se sentou ao volante e “só quer chegar a horas”.

Merece também alguma atenção o amigo Rui desatar logo a culpar “outro acidente”. Para já pela familiaridade com a tragédia (e ainda hoje parece que já viu pelo menos um), mas sobretudo pela terminologia. Não se devia falar em “acidentes” pois isto só desculpabiliza os embates da lata com lata (e muitas vezes com carne à mistura) e atira para o poço sem fundo qualquer possibilidade de prevenir novas desgraças.

Mas amigo Rui: de que vale chegar a horas, se já está transtornado hoje (e dia sim, dia sim) com a sua existência ao ponto de falar com o rádio e pensar que ouve resposta? Desaperte mais a sua gravata, mude de estação de rádio (para algo que ofereça mais do que avisos de navegação, para isso já deve ter o gps), estacione a sua jaula e vá a pé… apanhe algum ar primeiro para refrescar os seus pensamentos e depois procure por uma solução de transporte público se ainda estiver longe do seu trabalho. E dê-se por feliz, que ainda tem emprego 😉

 

Este anúncio já deve ser antigo, mas parece mesmo que foi filmado em 1984! Só agora ter chegado à “baila” é bom sinal: que se vê menos televisão, especialmente anúncios. 😉

Todos os canais falaram hoje disto: RTP (2), , SIC , TVI . Mas foi pelo jornais e blogs que vi que o assunto não me revoltava só a mim: Público (2,3,4,5) e outros...

 

 

Para acabar a reflexão ao assunto noutra óptica: a voz dentro da cabeça do amigo Rui, parece-se muito com a duma jornalista do canal público de rádio. Que assina a biografia do menino de ouro do PS… sim aquele que também diz que um “contra mim?” quando fala de campanhas negras. O amigo Rui não está sozinho! Há por aí muito malandro que lhe quer mal, mas há outros paladinos do asfalto que de certeza lhe darão protecção!

Ainda politicamente: para que é preciso um ministro com a tutela da comunicação social que diz nada poder fazer em casos destes? A ser verdade, é uma função redundante e há que cortar custos!


Primeiro há que reconhecer o inevitável: a Baixa está em estado vegetativo.

Depois há que estar atento que uma luta gigante se está a travar: entre modos de vida enraizados, idealizados e desejados que continuem (mas cada vez menos insustentáveis) e entre mudança de quotidianos e paradigmas. Paralelamente está já em curso a pré-campanha para a CML, e dum lado há quem está a apostar em ideias (até então apenas vocalizadas) e do outro quem quer manter as mesmas apostas (que estão a dar tão bons frutos).

Na baixa promete-se alterações como nunca antes, e logo se começa a ouvir as vozes de quem ainda acredita que devia-se acelerar  em direcção ao abismo.

Este estudo, de resultado esperado, bate a tecla do “não se faz, porque ainda não está feito” (a figura destes “estudos” fascinam-me, será que não deviam pôr sempre na bibliografia o Herr Goebbels?)   Ora, se não se quer “restringir significativamente” o tráfego automóvel (lembrar que o estudo foi pago pelo ACP) porque não o dizer claramente? Façam campanhas óbvias que nem a dos “mais N mil automóveis em Lisboa”, depois deixem os cidadãos escolher. Agora, “fingir” que se dá valor à mobilidade sustentável pedindo mais betão… não!!!

videos:


Não seria bonito dizer “é bem feito” e estar aqui a lembrar “que eu bem vos disse”, porque só ajudaria a crispar quem agora “anda aos papeis” porque não viu a horas que “isto assim não podia continuar”.

No entanto, “eles” aí estão a refilar, e pedir que os “deixemos trabalhar” e que “metam isto nos eixos”… com o herário público.

Eles falam em tudo o que é Media, e ainda se queixam de que não falam a uma só voz. E quem NÃO quer que as coisas voltem a como eram? Onde está a sua voz? Já não é sem tempo de dizer bem alto que é JÁ que queremos mudar o paradigma de transportes<economia<modo de vida ???

Aqui ficam as vozes dos que ainda acreditam no Pai Natal:

[blip.tv ?posts_id=1743738&dest=-1] [blip.tv ?posts_id=1743745&dest=-1]

e aqui a noticia da tvi que não consegui aqui disponibilizar.

 

Comentários às peças:

Na RTP ficou demonstrado que a desculpa do “precisamos do carro para trabalhar” ficou minada. Parece que os carros comprados de facto para trabalhar não se vendem tanto já, mas por outro lado os postos de trabalho também tem vindo a desaparecer a maior ritmo. Mas vê-se que os automóveis particulares de luxo não são menos procurados, o que demonstra que ter carro é maioritáriamente um simbolo de status e um reflexo da disfuncionalidade da nossa sociedade.

José Ramos Presidente da ACAP diz para se aumentar o crédito ao consumo, para que se venda mais. Ou em analogia:se o drogado precisa de heroína, que todos nós demos dinheiro ao bancos, para estes darem parte ao drogado para que este mantenha o estilo de vida do traficante. Ora aí está uma boa ideia, xôr Ramos! Nunca ouvi falar dos maleficios do crédito? Vá de férias à Islândia.

Fala-se de corte aos impostos, e nem lhe toco… pois esse tema daria uma constelação de blogs

Mas foi giro fechar com a associação entre a gravidade da situação e o sector ser 4%PIB. Ora se fosse só isso até estávamos nós muito bem. O problema é que quase tudo depende do pópó, ora vejam como fica o país quando os camiões bloqueiam ou quando a maldita neve agride os pneus de tanta latinha… Mas se não retirarmos este cancro JÁ vai ser bem pior no futuro.

A SIC acrescentou a visão do mundo das reparações. Ou significa que os carros estão mais fiáveis, ou (espero) as pessoas os condutores vão se aperceber da excessiva complexidade do monstro metálicos em que todos os dias querem entrar… este vai começar a frustá-los e pode ser que mudem para algo mais funcional 😉

E assim acabei em tom de esperança…


Amanhã, o Diário Económico dá conta de que Pontes sobre o Tejo perdem 5.500 carros por dia e que a Fertagus ganha clientes à Ponte 25 de Abril.

É o que a crise faz: apela à racionalidade na altura de escolher a forma de mobilidade. Importa também repensar se vale a pena gastar quase o dobro para dotar a TTT de tráfego rodoviário.

Aliás, esta forte tendência altista dos combustíveis poderá ter iniciado uma mudança de comportamento de parte da população, uma vez que é muito provável que em certos casos tenha havido uma transferência do transporte individual para o transporte colectivo, como se estima ter acontecido com a queda do número de automóveis que cruza as pontes sobre o Tejo, que terá sido compensada por um crescente número de passageiros a utilizar a travessia ferroviária disponibilizada pela Fertagus na ponte 25 de Abril ou as viagens fluviais proporcionadas pelos barcos da Transtejo.


Saiu esta notícia no Público, e eu aqui a duplico (porque no site original a forma como foi publicada não ajudará a encontrar a mesma no futuro)

publicoradares

Menos mortos e feridos graves devido a radares em Lisboa

08.12.2008, Inês Boaventura

A autarquia lamenta que o Governo não permita o acesso a "informações importantíssimas", como o número de acidentes e de feridos ligeiros

Os radares de controlo de velocidade instalados em Lisboa há cerca de um ano e meio contribuíram, segundo o director municipal de Protecção Civil, Segurança e Tráfego, Fernando Moutinho, para "uma redução objectiva da sinistralidade grave".
Segundo números a que o PÚBLICO teve acesso, divulgados na última reunião da Comissão de Avaliação do Sistema de Controlo de Velocidade e Vigilância do Tráfego de Lisboa, num conjunto de 12 das vias com radares houve nove mortos em 2006 e sete em 2007, ano em que aqueles equipamentos entraram em funcionamento. E dessas sete mortes duas ocorreram junto ao Terreiro do Paço, já "fora da zona do radar" colocado na Avenida Infante Dom Henrique.
Nas mesmas 12 vias verificou-se que, entre 2006 e 2007, o número de feridos graves diminuiu de 66 para 19. No caso das avenidas Marechal Craveiro Lopes e General Norton de Matos (conhecidas como Segunda Circular), Marechal Gomes da Costa, Marechal Spínola e de Brasília não se registaram quaisquer feridos graves em 2007, ao contrário do que tinha acontecido no ano anterior.
Também significativa foi a diminuição da sinistralidade grave na Av. Infante Dom Henrique (onde o número de pessoas feridas com gravidade baixou de 22 para 8), na Av. Cidade do Porto (Segunda Circular) e na Av. Almirante Gago Coutinho.
Numa análise alargada já a 2008, mas abarcando apenas o primeiro semestre de cada ano, constatou-se que nas 12 vias em análise houve 40 feridos graves em 2006, oito em 2007 e 11 em 2008 (três dos quais ocorreram um único acidente na Av. Marechal Gomes da Costa). Já o número de mortos desceu de seis para um e, finalmente, para zero.
Acalmia indiscutível
O director municipal de Protecção Civil, Segurança e Tráfego da Câmara de Lisboa constatou que, na sequência da instalação dos radares de controlo de velocidade houve "uma acalmia do tráfego indiscutível", bem como "uma redução objectiva da sinistralidade grave". Isto aconteceu, segundo Fernando Moutinho, não só nos locais onde foram colocados aqueles equipamentos, mas também nas zonas imediatamente antes e depois.
O arquitecto acredita que mesmo para os críticos dos radares "é difícil rebater estes dados", embora admita que o período em análise é ainda muito curto para se chegar a uma conclusão mais definitiva sobre as melhorias nos índices de sinistralidade.
A avaliação preliminar agora feita tem, segundo o mesmo responsável, o problema acrescido de se fundamentar apenas no número de mortos e feridos graves, que são os únicos divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
O director municipal adianta que "já foi pedido formalmente" àquela entidade que passe a disponibilizar outros dados, como o número total de acidentes e o número de feridos ligeiros, "informações importantíssimas" para permitir "uma análise mais fina" dos efeitos dos radares e também para "identificar melhor os pontos negros" da cidade.
Os 21 radares da capital, cuja instalação foi decidida quando Carmona Rodrigues era presidente da autarquia, entraram em funcionamento em Julho de 2007.
a A Comissão de Avaliação do Sistema de Controlo de Velocidade e Vigilância do Tráfego de Lisboa deverá concluir no início de 2009 uma proposta na qual recomendará a instalação de mais radares e a deslocação para novos locais de alguns dos equipamentos em funcionamento, mas o projecto não tem data para sair do papel.
"A questão dos radares não é prioritária", disse o assessor de imprensa da Câmara de Lisboa. Confrontado com esta afirmação, o director municipal de Protecção Civil, Segurança e Tráfego admitiu que "os prazos são políticos", mas defendeu que o trabalho da comissão vai permitir fundamentar qualquer decisão do executivo que venha a ser tomada sobre esta matéria.
A proposta da comissão deverá, segundo um documento preliminar já divulgado, pedir a colocação de novos radares em artérias como a Avenida Dr. Alberto Bensaúde e a Avenida Gulbenkian, mas também no Eixo Norte-Sul. Já no caso da Avenida Marechal Spínola (prolongamento da Avenida Estados Unidos da América), a ideia é retirar o equipamento lá instalado por se tratar de "um eixo radial com volumes de tráfego bem longe da sua capacidade de projecto".
Segundo o presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, Manuel João Ramos, a proposta final deverá ainda incluir algumas recomendações feitas por esta entidade, nomeadamente a introdução de um conjunto de medidas de acalmia de tráfego complementares aos radares. Entre elas contam-se alterações na semaforização, colocação de lombas e de painéis de alerta.

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