bike



Vou aqui fazer um resumo do que tem acontecido na novela das "Bicicletas de Uso Partilhado" em Lisboa:

  • 18Nov – Assembleia Municipal: Maioria do PSD vota contra proposta para abrir diálogo concorrencial para o projecto. Isto significa que já não serão aceites candidaturas que impliquem encargos à Câmara (leia-se: opções sem publicidade)
  • 21Nov – CML: Esclarecimento acerca do Projecto. Um grupo de cidadãos encontrou-se com os responsáveis pelo projecto para saberem mais pormenores e formarem opinião. (Documentos semelhantes aos vistos)
  • 26Nov – CML: Reunião Pública. Era suposto haver votação sobre a proposta alterada, mas o tempo não foi suficiente. Por isso a decisão foi adiada para a próxima sessão. Dois cidadãos tiveram oportunidade de intervir e dar conta, no seu entender, da importância deste projecto e realçaram outras questões ligadas a mobilidade. Foi também possível sinalizar o interesse em continuarem envolvidos na execução das propostas ganhadoras do Orçamento Participativo
  • 3Dez – CML: Reunião Extraordinária (privada). Será votada a proposta.

Quem ache que uma bicicleta também pode ajudar a reduzir emissões, porque é energeticamente eficiente, pode já assinar uma petição que tenta levar ao parlamento a discussão sobre a introdução duma simples alínea:

Ao não serem sujeitos a matrícula, ficaram automaticamente excluídos" do OE2009, que define que podem originar benefícios fiscais os "veículos sujeitos a matrícula exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis".
"Ao permitir que 30 por cento do investido em veículos eléctricos e/ou veículos não poluentes possa ser recuperado no IRS ao fim do ano, a justificação do Governo é incentivar o transporte sustentável, atacar de certa forma a crise energética e ao mesmo tempo ajudar a desenvolver uma indústria de transportes não poluente em Portugal", realçou.


Marquês de Pombal Início no Marquês e final no Cais do Sodré (eu)

Desta vez estava a chover, e por isso fomos menos. Mesmo assim os que não têm medo da chuva foram 11.

ver o Percurso

Houve uma BUTE, que alguns testaram (e não gostaram).

No Rossio tivemos uma curta paragem para falar sobre Lisboa e uma próxima tertúlia.

Relembrei-me como com a chuva é fácil escorregar nos carris dos eléctricos. Felizmente tive uma queda muito bem controlada.


O essencial:

A proposta para avançar com um “diálogo concorrencial” foi chumbada pela maioria PSD na Assembleia Municipal.
Os argumentos foram os clichés habituais, enquanto as razões foram certamente as tentativas de sabotagem em mais lutas politico-partidárias.
Digo eu: Não se faz porque ainda não está feito, e não se faz porque não somos nós a fazer.

O relato:

A Assembleia Municipal é mais um daqueles rituais para o auto-contentamento dos políticos cinzentos que se querem mostrar com abertura à cidadania. É aberta à participação pública dando 3 minutos a cada cidadão que não se assuste com a burocracia e protocolo, draconianamente regulada por um presidente (desta vez o 1º Secretário) que tem o poder de cortar o microfone enquanto os deputados ainda todos conversam entre si.

Alertado por esta notícia soube que nesta 62ª SESSÃO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL haveria uma proposta (11ª e última) que estaria ameaçada de ser votada contra pelo PSD, que estranhamente ainda conserva a maioria neste orgão. Proposta esta, que apesar de bastante escondida na gíria opaca, é a medida seguinte para tornar possível dotar Lisboa duma rede de bicicletas partilhadas à semelhança de outras grandes cidades mundiais.

Para eu intervir havia o período de uma hora antes, e chegando a 5 minutos do fim já só foi com insistência que consegui ultrapassar as reticências e queixas de “que já é tarde”. Senha Nº4, subir escadas, ditar dados pessoais, esperar por impressões de “fichas individuais”, assiná-las, enfim …
Mesmo assim, ainda foi possível esperar sentado para que o presidente da assembleia iniciasse a sessão, 20 minutos depois da hora. Os outros participantes lá leram os seus discursos sem levantar olhos para os senhores e senhoras deputados que ainda ruidosamente conversavam, talvez à espera do verdadeiro começo. Foi a minha vez, e com algumas notas rabiscadas numa página de publicidade lancei o “assunto de interesse municipal” que me preocupava. Adicionei que não gostava da “galhofa” com que alguns falavam sobre o tema, e o presidente alertou-me que não podia faltar ao respeito (ver mais abaixo o que aconteceu entre deputados). Sintetizei as minhas preocupações e tentei concluir com o desagrado pela falta de respeito em a sessão começar 20 minutos atrasada … e logo aqui o microfone começou a falhar intermitentemente, para depois projectar a minha voz felicitando ironicamente a cultura democrática do deputados que entretanto continuavam a conversar entre si.

Sem um fast-forward de 4 horas, teria de vos falar de muitos lastimáveis exemplos do que é a praxis duma assembleia de profissionais em representar os cidadãos. Fica para outra altura, porque a quente ainda me arrependeria…

Para quem viu a transmissão em directo (haverá alguém? porque não disponibilizar as sessões em diferido?) notou que foi só no último ponto (às 19.15) que todos os deputados “acordaram” e então houve polémica…

Noto dificuldade em relatar com exactidão o que se passou, uma vez que falta transparência nos termos e procedimentos, mas mesmo assim atrevo-me.
O deputado do PSD Victor Gonçalves, na primeira vez com o chapéu da “Comissão de Urbanismo e Mobilidade” tentou explicar que esta já era a 2ª proposta que tinham analisado e que “teriam” de rejeitar. Aprofundou as preocupações, já com o chapéu partidário, no que toca à falta de transparência do projecto que poderá chegar ao 50 Milhões de Euros. E mostrou-se do lado “hip” dizendo que um projecto como este não é brincadeira pois quer-se de facto um “sistema alternativo”, para em seguida argumentar contra de forma clássica: “Não há estudos” “nunca vejo ninguém a andar de bicicleta” “não estou a ver ninguém que as vá usar”. Terminou dizendo que o Túnel do Marquês “só” custou 30 Milhões.
O Vice-Presidente Marcos Perestrello, também vereador da mobilidade veio defender o “seu” projecto. Que esta proposta era apenas com vista a autorizar repartir encargos, uma vez que o projecto tem um horizonte de 10 anos e isso obriga-o a passar por votação em Assembleia Municipal. Mas tentou descansar as hesitações garantido que não representaria qualquer custo uma vez que o projecto seria auto-suficiente “como nas outras cidades”, através de receitas dos utentes e publicidade.

Ao “blocão” seguiram-se as minorias, e confesso que fiquei espantado com as posições.
Um deputado do Bloco de Esquerda realçou o futuro título ser próprio e não integrado com os cartões multimodais já existentes. E questionou-se como foi possível projectar 2.500 usuários diários sem inquéritos a preferências declaradas. Vaticinou que esta medida será um convite ao aumento de acidentes, comparando as bicicletas com as motos que também não tendo vias segregadas estão mais vulneráveis. Queria portanto mais ciclovias. Referiu também, em consonância com o PSD que o mesmo investimento daria para comprar 33 autocarros de última geração para a Carris (a mesma não é da CML, será ele da Carris?) E acabou em tom jocoso com a estória do seu camarada que “chama a isto o Plano Paulson para os utilizadores de bicicleta”.
Os Verdes categorizaram de boa ideia, mas que teria resultados desastrosos e por isso se iriam abster (mas acabaram por votar contra)
O PCP falou o típico discurso de que é difícil andar de bicicleta, e sinceramente em tal tom monocórdico que duvido que alguém tenha percebido a sua posição.
O CDS culpou os motoristas da “impossibilidade” de andar de bicicleta, mas ficaria satisfeito com a garantia de que o projecto seja auto-financiado.

Ora esta garantia foi com o que o vereador da mobilidade tentou chegar ao consenso com o PSD, prometendo-lhes que seria introduzida esta alínea no programa do concurso e que seria eliminada a menção a “repartição de encargos”. E devo-vos dizer que é com estes procedimentos que o comum dos mortais fica desmotivado para assistir a derbies de política profissional , pois até o presidente reparou que sem esta “repartição” então a proposta não teria de ser naquele órgão discutida e votada. Se por um lado poderia ser forma de ultrapassar bloqueios, por outro é repugnante as habilidades possíveis para “trazer água ao meu moinho”.

Contudo, o PSD não ficou satisfeito e entrou-se numa nova batalha partidária. Houve insulto pessoal, reparos à legitimidade do próprio órgão, e claro está ridicularização da bicicleta…
Perguntaria-se o que teria acontecido ao cidadão comum se do alto dos seus 3 minutos de fama dissesse que os deputados “galhofam” do uso da bicicleta, quando eles “apenas” podem impunemente dizer:
“24mil viagens de bicicleta por ano, ficaria espantado (e pantomima a condizer)” “publicidade nas bicicletas? já estou a ver o ciclista de cartaz às costas a dizer TMN, estão a ver?” “eu tenho ali a bicicleta dobradinha no carro… e não sou capaz de subir …” tudo isto acompanhado de muitas risadas e “bocas”

Votação final, o CDS-PP votou a favor com o PS e todos os outros votaram contra rejeitando assim a proposta. O que irá acontecer ao projecto? Não sei, mas espero que se o explique melhor para que haja mais gente capaz de o defender. Por agora, anda-se de carro, muitos motoristas à espera (era todo o público que restava ao final) e lucros para quem gere o parque ali ao lado.

Update: Links para jornais:
SolLusa

Correcções:
– alguém com acesso a terminais da CML corrigiu-me dizendo que afinal o PEV absteve-se. Como se pode ter acesso às actas e às votações?


Encontrei por acaso um projecto fascinante da Yahoo: Purple Pedals.

A ideia é ter uma bike que registará automaticamente em imagens por onde andará. Tecnicamente é fascinante pela simplicidade final com que “enfiaram” tudo em 2 caixas de metal, e em como tudo funciona sozinho sem necessitar de muito “baby-sitting”.

Gostava de pôr os meus pés numa destas e dar muitas voltas por Lisboa, ou melhor: fazer o próximo biketour nela!


A massa crítica celebrou serenamente este mês os seus 5 anos.

massa critica 09.08 massa critica 09.08

Início no Marquês e final no Rossio (video, clicar para ver)

ver o Percurso

P.S.:

“serenamente” porque não houve nada visível para realçar o feito. Quanto ao número de participantes, acho que não foram menos de 30. Não contei, mas deve ter havido quem o fez.

Depois do passeio alguns participantes foram conhecer o Chícharo num jantar promovido pela casa de Alvaiázere.


Hoje Bob Novak, personalidade conservadora, atropelou um peão e tentou fugir. A "sorte" neste acidente foi que um ciclista (também uma personalidade, advogado) presenciou o "bate&foge" e decidiu intervir. Excelente exemplo de bom civismo, e de mau também … por ter um descapotável pensar-se que se pode atropelar peões!

cycle commuter David Bono of Harkins Cunningham thought what every good lawyer should think: “This car is speeding away. What’s going through my mind is, you just can’t hit a pedestrian and drive away.”

Cycle Commuter Catches Hit-and-Run Corvette-Driving Bob Novak : TreeHugger

Update:
a noticia apareceu no Daily Show hoje
The only difference between Robert Novak’s hit-and-run and his career is that this time someone stopped him.

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