Activism



Não seria bonito dizer “é bem feito” e estar aqui a lembrar “que eu bem vos disse”, porque só ajudaria a crispar quem agora “anda aos papeis” porque não viu a horas que “isto assim não podia continuar”.

No entanto, “eles” aí estão a refilar, e pedir que os “deixemos trabalhar” e que “metam isto nos eixos”… com o herário público.

Eles falam em tudo o que é Media, e ainda se queixam de que não falam a uma só voz. E quem NÃO quer que as coisas voltem a como eram? Onde está a sua voz? Já não é sem tempo de dizer bem alto que é JÁ que queremos mudar o paradigma de transportes<economia<modo de vida ???

Aqui ficam as vozes dos que ainda acreditam no Pai Natal:

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e aqui a noticia da tvi que não consegui aqui disponibilizar.

 

Comentários às peças:

Na RTP ficou demonstrado que a desculpa do “precisamos do carro para trabalhar” ficou minada. Parece que os carros comprados de facto para trabalhar não se vendem tanto já, mas por outro lado os postos de trabalho também tem vindo a desaparecer a maior ritmo. Mas vê-se que os automóveis particulares de luxo não são menos procurados, o que demonstra que ter carro é maioritáriamente um simbolo de status e um reflexo da disfuncionalidade da nossa sociedade.

José Ramos Presidente da ACAP diz para se aumentar o crédito ao consumo, para que se venda mais. Ou em analogia:se o drogado precisa de heroína, que todos nós demos dinheiro ao bancos, para estes darem parte ao drogado para que este mantenha o estilo de vida do traficante. Ora aí está uma boa ideia, xôr Ramos! Nunca ouvi falar dos maleficios do crédito? Vá de férias à Islândia.

Fala-se de corte aos impostos, e nem lhe toco… pois esse tema daria uma constelação de blogs

Mas foi giro fechar com a associação entre a gravidade da situação e o sector ser 4%PIB. Ora se fosse só isso até estávamos nós muito bem. O problema é que quase tudo depende do pópó, ora vejam como fica o país quando os camiões bloqueiam ou quando a maldita neve agride os pneus de tanta latinha… Mas se não retirarmos este cancro JÁ vai ser bem pior no futuro.

A SIC acrescentou a visão do mundo das reparações. Ou significa que os carros estão mais fiáveis, ou (espero) as pessoas os condutores vão se aperceber da excessiva complexidade do monstro metálicos em que todos os dias querem entrar… este vai começar a frustá-los e pode ser que mudem para algo mais funcional 😉

E assim acabei em tom de esperança…


Vou aqui fazer um resumo do que tem acontecido na novela das "Bicicletas de Uso Partilhado" em Lisboa:

  • 18Nov – Assembleia Municipal: Maioria do PSD vota contra proposta para abrir diálogo concorrencial para o projecto. Isto significa que já não serão aceites candidaturas que impliquem encargos à Câmara (leia-se: opções sem publicidade)
  • 21Nov – CML: Esclarecimento acerca do Projecto. Um grupo de cidadãos encontrou-se com os responsáveis pelo projecto para saberem mais pormenores e formarem opinião. (Documentos semelhantes aos vistos)
  • 26Nov – CML: Reunião Pública. Era suposto haver votação sobre a proposta alterada, mas o tempo não foi suficiente. Por isso a decisão foi adiada para a próxima sessão. Dois cidadãos tiveram oportunidade de intervir e dar conta, no seu entender, da importância deste projecto e realçaram outras questões ligadas a mobilidade. Foi também possível sinalizar o interesse em continuarem envolvidos na execução das propostas ganhadoras do Orçamento Participativo
  • 3Dez – CML: Reunião Extraordinária (privada). Será votada a proposta.

Quem ache que uma bicicleta também pode ajudar a reduzir emissões, porque é energeticamente eficiente, pode já assinar uma petição que tenta levar ao parlamento a discussão sobre a introdução duma simples alínea:

Ao não serem sujeitos a matrícula, ficaram automaticamente excluídos" do OE2009, que define que podem originar benefícios fiscais os "veículos sujeitos a matrícula exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis".
"Ao permitir que 30 por cento do investido em veículos eléctricos e/ou veículos não poluentes possa ser recuperado no IRS ao fim do ano, a justificação do Governo é incentivar o transporte sustentável, atacar de certa forma a crise energética e ao mesmo tempo ajudar a desenvolver uma indústria de transportes não poluente em Portugal", realçou.


Marquês de Pombal Início no Marquês e final no Cais do Sodré (eu)

Desta vez estava a chover, e por isso fomos menos. Mesmo assim os que não têm medo da chuva foram 11.

ver o Percurso

Houve uma BUTE, que alguns testaram (e não gostaram).

No Rossio tivemos uma curta paragem para falar sobre Lisboa e uma próxima tertúlia.

Relembrei-me como com a chuva é fácil escorregar nos carris dos eléctricos. Felizmente tive uma queda muito bem controlada.


O essencial:

A proposta para avançar com um “diálogo concorrencial” foi chumbada pela maioria PSD na Assembleia Municipal.
Os argumentos foram os clichés habituais, enquanto as razões foram certamente as tentativas de sabotagem em mais lutas politico-partidárias.
Digo eu: Não se faz porque ainda não está feito, e não se faz porque não somos nós a fazer.

O relato:

A Assembleia Municipal é mais um daqueles rituais para o auto-contentamento dos políticos cinzentos que se querem mostrar com abertura à cidadania. É aberta à participação pública dando 3 minutos a cada cidadão que não se assuste com a burocracia e protocolo, draconianamente regulada por um presidente (desta vez o 1º Secretário) que tem o poder de cortar o microfone enquanto os deputados ainda todos conversam entre si.

Alertado por esta notícia soube que nesta 62ª SESSÃO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL haveria uma proposta (11ª e última) que estaria ameaçada de ser votada contra pelo PSD, que estranhamente ainda conserva a maioria neste orgão. Proposta esta, que apesar de bastante escondida na gíria opaca, é a medida seguinte para tornar possível dotar Lisboa duma rede de bicicletas partilhadas à semelhança de outras grandes cidades mundiais.

Para eu intervir havia o período de uma hora antes, e chegando a 5 minutos do fim já só foi com insistência que consegui ultrapassar as reticências e queixas de “que já é tarde”. Senha Nº4, subir escadas, ditar dados pessoais, esperar por impressões de “fichas individuais”, assiná-las, enfim …
Mesmo assim, ainda foi possível esperar sentado para que o presidente da assembleia iniciasse a sessão, 20 minutos depois da hora. Os outros participantes lá leram os seus discursos sem levantar olhos para os senhores e senhoras deputados que ainda ruidosamente conversavam, talvez à espera do verdadeiro começo. Foi a minha vez, e com algumas notas rabiscadas numa página de publicidade lancei o “assunto de interesse municipal” que me preocupava. Adicionei que não gostava da “galhofa” com que alguns falavam sobre o tema, e o presidente alertou-me que não podia faltar ao respeito (ver mais abaixo o que aconteceu entre deputados). Sintetizei as minhas preocupações e tentei concluir com o desagrado pela falta de respeito em a sessão começar 20 minutos atrasada … e logo aqui o microfone começou a falhar intermitentemente, para depois projectar a minha voz felicitando ironicamente a cultura democrática do deputados que entretanto continuavam a conversar entre si.

Sem um fast-forward de 4 horas, teria de vos falar de muitos lastimáveis exemplos do que é a praxis duma assembleia de profissionais em representar os cidadãos. Fica para outra altura, porque a quente ainda me arrependeria…

Para quem viu a transmissão em directo (haverá alguém? porque não disponibilizar as sessões em diferido?) notou que foi só no último ponto (às 19.15) que todos os deputados “acordaram” e então houve polémica…

Noto dificuldade em relatar com exactidão o que se passou, uma vez que falta transparência nos termos e procedimentos, mas mesmo assim atrevo-me.
O deputado do PSD Victor Gonçalves, na primeira vez com o chapéu da “Comissão de Urbanismo e Mobilidade” tentou explicar que esta já era a 2ª proposta que tinham analisado e que “teriam” de rejeitar. Aprofundou as preocupações, já com o chapéu partidário, no que toca à falta de transparência do projecto que poderá chegar ao 50 Milhões de Euros. E mostrou-se do lado “hip” dizendo que um projecto como este não é brincadeira pois quer-se de facto um “sistema alternativo”, para em seguida argumentar contra de forma clássica: “Não há estudos” “nunca vejo ninguém a andar de bicicleta” “não estou a ver ninguém que as vá usar”. Terminou dizendo que o Túnel do Marquês “só” custou 30 Milhões.
O Vice-Presidente Marcos Perestrello, também vereador da mobilidade veio defender o “seu” projecto. Que esta proposta era apenas com vista a autorizar repartir encargos, uma vez que o projecto tem um horizonte de 10 anos e isso obriga-o a passar por votação em Assembleia Municipal. Mas tentou descansar as hesitações garantido que não representaria qualquer custo uma vez que o projecto seria auto-suficiente “como nas outras cidades”, através de receitas dos utentes e publicidade.

Ao “blocão” seguiram-se as minorias, e confesso que fiquei espantado com as posições.
Um deputado do Bloco de Esquerda realçou o futuro título ser próprio e não integrado com os cartões multimodais já existentes. E questionou-se como foi possível projectar 2.500 usuários diários sem inquéritos a preferências declaradas. Vaticinou que esta medida será um convite ao aumento de acidentes, comparando as bicicletas com as motos que também não tendo vias segregadas estão mais vulneráveis. Queria portanto mais ciclovias. Referiu também, em consonância com o PSD que o mesmo investimento daria para comprar 33 autocarros de última geração para a Carris (a mesma não é da CML, será ele da Carris?) E acabou em tom jocoso com a estória do seu camarada que “chama a isto o Plano Paulson para os utilizadores de bicicleta”.
Os Verdes categorizaram de boa ideia, mas que teria resultados desastrosos e por isso se iriam abster (mas acabaram por votar contra)
O PCP falou o típico discurso de que é difícil andar de bicicleta, e sinceramente em tal tom monocórdico que duvido que alguém tenha percebido a sua posição.
O CDS culpou os motoristas da “impossibilidade” de andar de bicicleta, mas ficaria satisfeito com a garantia de que o projecto seja auto-financiado.

Ora esta garantia foi com o que o vereador da mobilidade tentou chegar ao consenso com o PSD, prometendo-lhes que seria introduzida esta alínea no programa do concurso e que seria eliminada a menção a “repartição de encargos”. E devo-vos dizer que é com estes procedimentos que o comum dos mortais fica desmotivado para assistir a derbies de política profissional , pois até o presidente reparou que sem esta “repartição” então a proposta não teria de ser naquele órgão discutida e votada. Se por um lado poderia ser forma de ultrapassar bloqueios, por outro é repugnante as habilidades possíveis para “trazer água ao meu moinho”.

Contudo, o PSD não ficou satisfeito e entrou-se numa nova batalha partidária. Houve insulto pessoal, reparos à legitimidade do próprio órgão, e claro está ridicularização da bicicleta…
Perguntaria-se o que teria acontecido ao cidadão comum se do alto dos seus 3 minutos de fama dissesse que os deputados “galhofam” do uso da bicicleta, quando eles “apenas” podem impunemente dizer:
“24mil viagens de bicicleta por ano, ficaria espantado (e pantomima a condizer)” “publicidade nas bicicletas? já estou a ver o ciclista de cartaz às costas a dizer TMN, estão a ver?” “eu tenho ali a bicicleta dobradinha no carro… e não sou capaz de subir …” tudo isto acompanhado de muitas risadas e “bocas”

Votação final, o CDS-PP votou a favor com o PS e todos os outros votaram contra rejeitando assim a proposta. O que irá acontecer ao projecto? Não sei, mas espero que se o explique melhor para que haja mais gente capaz de o defender. Por agora, anda-se de carro, muitos motoristas à espera (era todo o público que restava ao final) e lucros para quem gere o parque ali ao lado.

Update: Links para jornais:
SolLusa

Correcções:
– alguém com acesso a terminais da CML corrigiu-me dizendo que afinal o PEV absteve-se. Como se pode ter acesso às actas e às votações?


Apanhei um anuncio na net que dizia: “Recebeu uma Multa? Está certo que é para pagar? Deixe isso com profissionais”

Ao entrar no site, entende-se logo a categoria de “serviços” a oferecer: escapar a multas através da experiências de “profissionais”.

Não sei se hei de rir das imagens: “velocidade?” e um carro desfocado junto a um sinal de limite 40 ; “telemóvel?” e uma foto clara de alguém com a mão no volante ; um sinal de alerta para peões (como se por sim só fosse já uma “ameaça”) ; carros antigos e desportivos ; autoestradas vazias ou com “trails” velozes ; um conta-quilómetros …

Depois venham perguntar porque morrem 2 tugas por dias nas estradas, ou outra pergunta do género…

A par disto, lembro-me de ter visto uma reportagem tv onde uma multa era descrita que nem uma outra inevitabilidade/consequência fora do controlo de quem “apanhava” agora com a crise. Era preciso é saber o que penhorar e onde, para pagar esta inesperada despesa.

Não excluo que haja multas injustas, mas não me parece que sejam a essas que esta empresa se quer referir. Lê-se bem que a pergunta induzida é “posso me livrar das minhas responsabilidades?”

E o que nós precisamos mais é de maior irresponsabilidade e sentido de impunidade nessas portuguesas arenas de asfalto…


A massa crítica celebrou serenamente este mês os seus 5 anos.

massa critica 09.08 massa critica 09.08

Início no Marquês e final no Rossio (video, clicar para ver)

ver o Percurso

P.S.:

“serenamente” porque não houve nada visível para realçar o feito. Quanto ao número de participantes, acho que não foram menos de 30. Não contei, mas deve ter havido quem o fez.

Depois do passeio alguns participantes foram conhecer o Chícharo num jantar promovido pela casa de Alvaiázere.

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