A dezenas de quilómetros do mar a mina de sal-gema produz sal para consumo humano há mais de mil anosa A Cooperativa Agrícola de Produtores de Sal de Rio Maior, único local no país onde se explora “sal sem mar”, produziu no ano passado 1700 toneladas de sal, 300 das quais foram para a Alemanha, disse o seu presidente.Casimiro Ferreira, que este fim-de-semana vai expor o produto retirado das salinas de Rio Maior no Festival Internacional do Sal que decorre em Aveiro, disse à Lusa que a cooperativa vai começar a participar em eventos internacionais para dar a conhecer um produto que, apesar de milenar, é ainda pouco conhecido.O próximo destino será Turim, em Itália, e também Barcelona, em Espanha, para mostrar o sal “completamente natural, sem aditivo de químicos”, de Rio Maior, em certames que visam a divulgação de produtos alimentares artesanais, disse.O sal de Rio Maior, cidade afastada do litoral, provém de uma extensa e profunda mina de sal-gema, situada a 60 metros de profundidade, que é atravessada por uma corrente subterrânea de água doce.”Ao contrário de outros sítios, onde se retira o sal directamente da sal-gema, aqui, a água que é salgada ao passar pela mina chega por gravidade a um poço com nove metros de profundidade”, de onde é retirada para ser espalhada por uma área de mais de 20.000 metros quadrados, disse.Essa água “é sete vezes mais salgada que a água do mar”, afirmou Casimiro Ferreira, sublinhando que o sal daqui retirado é puro, com perto de 98 por cento de cloreto de sódio. “Sal que possua menos de 97 por cento de cloreto de sódio é impróprio para consumo humano, por isso fazemos análises regulares”, afirmou.Tendo em conta a exigência dos clientes alemães, o produto que se lhes destina é higienizado totalmente à mão, havendo três mulheres em permanência, oito horas por dia, a retirarem todas as impurezas e colocando o sal já limpo em sacas de uma tonelada. O produto é depois moído e ensacado em sacos de 25 quilos cada, com destino essencialmente às padarias alemãs.Cada quilo deste sal é vendido a 45 cêntimos, preço bastante acima dos 12 tabelados para o sal vendido para o mercado nacional e que se destina a panificadoras, salga do bacalhau, higiene pessoal ou para retirar o calcário da água, adiantou.A safra de 2006 deu no total um lucro de 75.000 euros, divididos pelos 71 associados da cooperativa, consoante a quantidade de sal retirado dos talhões de cada um dos proprietários. As salinas estão classificadas como “imóvel de interesse público” e situam-se no lugar de Marinhas do Sal, a cerca de três quilómetros de Rio Maior. Com cerca de 80 casas de madeira onde os salineiros guardavam o sal e hoje estão instaladas lojas e associações ambientalistas, o lugar é actualmente um ponto de atracção turística. Lusa

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